25 de setembro de 2014

{Blogagem Coletiva} Das cartas que nunca te escrevi ...



Das cartas que nunca escrevi  àqueles que chamo de irmãos

Oi, 
Como vão vocês? 
Nem mesmo sei como começar uma carta que não será entregue, mas vamos lá. 
Desde pequenininha, vocês sempre estiveram aqui comigo. Ou melhor, uma parte de vocês sempre esteve aqui comigo. Mesmo que não soubessem. Mesmo que eu só tenha surgido na vida de vocês bem depois. 
Desde que me entendo por gente, sempre teve uma mocinha dos cabelos cacheados e um menininho bochechudo. Sempre teve a garota que eu lembrava quando via uma meia-calça arrastão e o menino que fez um ETzinho brilhante nunca mais ser o mesmo. 
Tinha também a curiosidade: será que são legais? Será que não gostam de mim? Porque nunca me procuraram? Algum dia vou conhecê-los pessoalmente?
Na cabeça de uma criança não era algo difícil de lidar. Na cabeça de uma pré-adolescente a coisa já se complicava um pouquinho mais. Principalmente quando veio aquela foto do dia dos pais. Porque eles podiam estar lá com ele e eu precisava me contentar com um e-mail que nem resposta teve?
E depois veio aquela rede social. Aquela mesmo, onde perguntas idiotas recebiam respostas mais idiotas ainda.  A rede social que levou de mim a esperança que eu tinha, quando li que "Eu não tenho uma irmã chamada Laura". Ela não sabe? Ela finge não saber? Melhor deixar pra lá, esquecer, continuar como está
E pouco depois, já não bastasse a bagunça que existia na minha mente, surge mais uma: dessa vez, uma mais nova. Que tem nome de melhor amiga e nasceu no mesmo dia que eu. Que é pequena e nem mora na mesma cidade. Pfff, essa aí é melhor eu esquecer mesmo, nunca vou conhecer.
Mas a rede social que tirou minhas esperanças foi também onde, mais tarde, encontrei um pedaço perdido de mim. Foi ela que apitou no meu celular avisando uma mensagem que deixei pra olhar depois - estava muito ocupada vendo o mundo ser redondo lá do Mirante. Dentro do carro a caminho do restaurante não tinha nada melhor pra fazer. Vou ver a pergunta. Uma pergunta sobre meu pai. Respondida. Outra sobre minha idade. Respondida. De repente, a bomba. "Você é minha irmã mesmo?". Não sabia o que fazer. É, Ela descobriu. E agora? Quero me esconder do mundo. Quero minha cama. Minha mãe. Qualquer coisa, me levem pra casa. Um banho longo, uma noite mal dormida. A cama não era minha e os pensamentos eram muito meus. As coisas começam a se acalmar e eu acho que eu gosto do rumo que elas estão tomando. Ela gosta de The Pretty Reckless e Legião Urbana. Ela toca violão. Ela é legal. Ela quer me conhecer, e agora?
Saí de casa atrasada e com as mãos suando frio. Cheguei sem palavras pra dizer. Mas ela tinha um sorriso no olhar e também estava sem palavras- tudo bem, a gente se acostuma com o tempo. Fui embora com um sorriso no rosto e o coração quente. 
E o tempo passa. Conversas, combinados, lá vou eu. Uma mala, um carro, alguns quilômetros, três irmãos, centenas de tios e primos. Sentimento de estar em casa, ser acolhida. Uma sala, muitos colchões, todo mundo amontoado em meio a um bando de cobertas, perfeito. Uma infinidade de sorrisos e gargalhadas, é isso. Todos os medos se dissolveram na primeira música do karaokê. 
 E vieram outros sorrisos, outras brincadeiras, um cinema, dois. Veio também a sensação de que faço parte disso tudo. Somos 4. 4 partes de um todo que faz parte de mim também. Eu e cada um de vocês. Nós. E veio outro dia dos pais. E eu estava lá, e todos estávamos. E tinha a mão de todos naquele macarrão que saiu melhor do que eu esperava. E tem um pouco de todos em vários pedacinhos da minha vida agora. É o esmalte azul que me lembra a Mari, a conversa sobre jogos na sala de aula me faz pensar no Thi e comer arroz é sinônimo de lembrar da Ana. 
E em uma carta que não será entregue, seria muito idiota agradecer? 
É que eu não sei se eu seria tão acolhedora com alguém que chegou do nada e roubou um pedaço do pai que era meu. Eu não sei se eu saberia lidar tão bem com tudo isso. É que você me ajudou com minha bagunça até mesmo quando seu mundo estava desabando, moça, E você deixou eu entrar como se eu sempre estivesse aqui, menininho. E molequinha, você sem querer joga verdades na minha cara de uma forma que ninguém nunca fez. E é que vocês fazem eu me sentir parte de um todo, e isso me faz um bem incalculável. 
A legenda de uma foto nossa talvez diga tudo o que eu precisei enrolar tanto pra dizer, mas me desculpem, a irmã de vocês enxerga o mundo com palavras e as vezes precisa colocar tudo pra fora. Mas vamos lá: 
"Ohana". 
Tem aquele quadrinho no quarto da nossa prima que completa, mas eu acho que todos sabemos: Ohana quer dizer família, e família quer dizer nunca mais abandonar ou esquecer. E vocês fizeram com que eu realmente entendesse isso.  Ok, depois dessa frase tá confirmado: sou um clichê ambulante. Mas é a verdade dita da forma mais direta possível. 
E ainda posso ser mais clichê. Duvidam? Tô aqui! Seja pra o que for, lembrem-se disso. Meio louca, confusa e errada as vezes, mas sempre disposta a ajudar (ou pelo menos tentar). 
Já prolonguei demais o que podia ser dito em dois parágrafos, então me despeço por aqui,
Beijos,
sua irmã.


Esse post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, o grupo mais nostálgico e delicioso de blogueiras no facebook. O rotaroots incentiva as postagens pessoais e autorais, criativas, sem clichês e regras. Não conhece ainda? Passa lá! 

2 comentários:

  1. Gente, que lindo :'(
    seus irmãos devem ser muito amor, e sério, adorei a carta :'( adorei tanto que não sei mesmo o que escrever aiushaus tenho uma irmã que é meu tudo e adorei mesmo tua carta (sim, de novo haha) <3

    Loud Like Moi

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom que gostou Larissa *-*
      Eles são sim *-*
      Beijos!

      Excluir

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