Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, o rendimento médio mensal das mulheres é 27,1% menor do que o dos homens. Isso porquê muitas empresas pagam menos para mulheres ocuparem os mesmos cargos que homens. Além disso, mulheres muitas vezes ocupam cargos que tem remuneração mais baixa, como os domésticos. Segundo a mesma pesquisa, as taxas de desemprego para mulheres chegam a ser 36,5% maiores que para homens.
Outra pesquisa, realizada pelo IPEA, mostra que 58,5% dos homens entrevistados pela mesma concordaram total ou parcialmente com a frase
"Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros". Mostra também que 42,7% dos entrevistados concorda totalmente que mulheres que usam roupas justas e/ou curtas merecem ser estupradas.
Não bastassem todos esses dados, ainda tem mais: O instituto
Avon fez uma pesquisa chamada
Percepções dos homens sobre a violência doméstica contra a mulher e descobriu que 47% dos homens acha que o sexo feminino tem menos necessidade/desejo por sexo, que 85% considera inaceitável uma mulher ficar bêbada e 89% acha inaceitável uma mulher deixar a casa desarrumada. 43% dos homens querem ainda uma mulher Amélia - que fica em casa cuidando dos filhos enquanto ele trabalha.
Agora você que está lendo me diga: Acha que todas estas pesquisas são de quantos anos/décadas atrás? Eu chutei algo do tipo 10/15 anos, mas me enganei. A pesquisa mais antiga entre as citadas é a do Instituto
Avon, que foi feita em Dezembro de 2013. As outras duas são de março de 2014.
Acho que depois disso tudo nem preciso citar que o machismo está mais presente na nossa sociedade do que o que eu gostaria, não é? O que me faz trazer esse assunto aqui pro blog é percebê-lo cada vez mais frequente no meu dia-a-dia. Parece que está se tornando cada vez mais difícil andar nas ruas sem ouvir um "Ôh, gostosa!"- sendo esta uma das coisas mais leves que nós mulheres ouvimos por aí.
É indignante ouvir coisas como estas? Sim. Mas pior ainda é ver gente dizendo que "não vê nada de demais", que "é só um elogio" e que "mulheres reclamam demais". É impressionante ver como as pessoas só consideram agressão quando há contato físico. Se um homem gritar pra uma mulher desconhecida frases que tornam-a um objeto sexual, "tudo bem, é só um elogio". Se ele segura o braço dela enquanto faz isso, aí não pode, é agressão. O constrangimento e o medo que uma mulher sente ao ser assediada com palavras é tão forte como uma agressão física.
A sensação que tenho é de que muitos consideram estes assédios uma coisa rara, que acontece de vez em quando e por isso é fácil reconhecer e denunciar o assediador. Porém, como mostra a pesquisa "chega de Fiu-fiu" 99,6% das mulheres que responderam à pesquisa já sofreram assédio na rua; 90% delas já trocaram de roupa pensando no lugar onde iam por medo de assédio e 68% já foi xingada por DIZER NÃO às cantadas que ouviu na rua. Ainda parece raridade?

Faço parte dos milhares de mulheres que preferem não chupar um picolé quando está sozinha na rua por já ter ouvido homens dizendo coisas do tipo "Tenho um mais gostoso pra você chupar" - enquanto posicionam as mãos estrategicamente simulando sexo oral. Que prefere não usar shorts quando sai sozinha por ouvir assédios mesmo quando estou com minha mãe do lado. Que atravessa a rua duas vezes a mais que o necessário por ter um grupo de homens no meio do caminho já começando os assédios de longe. E olha, isso cansa! Até porque, eu obviamente só tomo sorvete no meio da rua quando quero demonstrar minha vontade de fazer sexo oral em um homem, não é? Eu só saio de short num calor infernal pra provocar homens... obvio! Porque mais seria?
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| #semviolencia, ok gente? Só mesmo pelos trocadilhos e pela ideia ♥ |
No final das contas, o que quero dizer é o que milhares de mulheres repetem todos os dias, mas parece que pouca gente entende então a gente repete até cansar:
MEU CORPO É MEU! Se quero ser garçonete, profissional em TI (e isso me lembra a
Tamy), engenheira, mecânica ou eletricista, é uma escolha MINHA e ninguém tem que interferir nisso. Não tem profissão de homem ou de mulher, tem profissão e fim. E eu tenho o direito de receber o mesmo que um homem pra fazer o mesmo trabalho que ele. Se quero sair na rua de short, calcinha jeans, sem sutiã, de microssaia, tomando sorvete, comendo banana ou seja o que/como for, é por que me sinto bem assim, não porque quero provocar um homem desconhecido; e ele não tem direito nenhum de usar a minha roupa/atitude como justificativa para me assediar. Eu tenho o direito de andar na rua sem ter que ouvir frases extremamente machistas que me objetificam e agridem moral, intelectual e sexualmente!
De onde eu tirei tanta informação?
Daqui,
daqui,
daqui e
daqui!